Presidente da Redemocratização, Collor diz que enfrentou e venceu desafios

19 novembro 2019
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Categoria: Notícias
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Há 30 anos, em 1989, Fernando Collor de Mello foi eleito Presidente da República pelo voto democrático do povo. Nesta terça-feira (19), o senador Fernando Collor de Mello (PROS) discursou e disse que, durante todo esse percurso de vida pública, combateu o bom combate, enfrentando e vencendo todos os tipos de desafios. Collor avaliou que não foi um jovem que chegou precocemente ao poder. “Fui um presidente à frente de seu tempo. Isso me deixa feliz e realizado”, expressou o ex-presidente, celebrando, também, os avanços que o Brasil ainda desfruta das medidas inovadoras e implantadas por ele à época da Presidência.

O senador também comemorou o fato de ter sido o precursor de um ciclo de presidentes que buscam reduzir o tamanho do Estado, abrindo a economia e promovendo privatizações. O senador fez questão de reafirmar publicamente seu “inabalável compromisso com o resgate do passivo social e com a modernização do País”.

Com a evolução da crise política na Presidência, o senador revelou, ainda, que rejeitou uma sugestão levantada pelo comandante da Marinha, em reunião no Palácio do Planalto,  de que “as Forças Armadas estavam prontas para agir em defesa da legalidade e providenciar o retorno aos quadros constitucionais vigentes”. Clique, aqui, e leia o discurso na íntegra

Da tribuna do Senado Federal, Collor fez um resgate histórico do difícil e adverso momento econômico que enfrentou ao assumir o Brasil, ressaltando que, logo após tomar posse, iniciou um forte processo de realinhamento da economia brasileira com as demais nações, a exemplo da abertura das fronteiras para produtos estrangeiros. O senador citou, também, um texto assinado pela jornalista Miriam Leitão, que, em sua coluna em 16 de novembro no o Globo, reconheceu que a marca do governo de Fernando Collor foi a abertura comercial do Brasil para o mundo.

“Naquele momento histórico, os brasileiros perceberam a necessidade de se conectar com o mundo. Abrir as janelas da economia e deixar a luz do sol entrar. Chamei os carros brasileiros de carroças e incentivei a indústria a iniciar um vigoroso processo de renovação, em busca da eficiência e do menor preço. É claro que, ao agir assim, o presidente ganha adeptos e, mesmo à sua revelia, faz inimigos. É natural. Contraria-se interesses poderosos. No início do governo, havia uma inflação de 80% ao mês. Tivemos que enxugar o meio circulante. Congelamos os preços e bloqueamos os ativos para frear a escalada inflacionária. Restituímos todos os haveres bloqueados no prazo de 18 meses”, lembrou o senador.

Diante do “furão político” que enfrentou e venceu nesse período, o parlamentar avaliou que cometeu alguns erros enquanto esteve à frente do Brasil ao não conseguir dialogar com os políticos e com a imprensa.

“Saí de Alagoas, do Nordeste, e cheguei à Presidência da República Federativa do Brasil há trinta anos. Ninguém na política brasileira faz este percurso sem cometer erros, fazer e sofrer injustiças. Ser presidente da República, neste nosso sistema presidencialista pesado, duro, monocrático, cercado de burocratas e instituições ciosas de seus respectivos poderes, é exercício diário de determinação, calma, disposição para o diálogo e muita paciência. O fato de ter sido absolvido pela mais elevada instância da Justiça brasileira me coloca diante da história em posição singular. Não fui um jovem que chegou precocemente ao poder. Fui um presidente à frente de seu tempo. Isso me deixa feliz e realizado”, expressou ele.

FURACÃO POLÍTICO

Na avaliação de Collor, a política brasileira não costuma transitar por uma linha reta.  “Ao contrário, ela caminha pelas linhas que oferecem menor resistência, por atalhos sinuosos, e consegue unir os pontos numa sequência razoável”,disse o senador. Collor classificou como triste o episódio da entrevista de seu falecido irmão divulgando informações falaciosas, que resultaram na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

“Uma questão familiar se tornou escandalosamente pública. Não creio que tenha lidado bem com a imprensa. Nem com a classe política. Não tive o cuidado de formar uma maioria sólida para blindar a Presidência de ataques violentos como o que ocorreu no episódio da CPI. O responsável por arrecadar recursos para a campanha transformou-se no centro de um furacão de denúncias”,recordou Collor.

Ao final de tanto barulho e tanta discussão, o senador recordou que foi acusado de ter recebido um automóvel popular, pago com recursos da campanha eleitoral. Este fato, segundo os acusadores do então presidente, indicaria confusão de recursos públicos com privados.

“Não houve! De todo modo, em comparação com o que aconteceu em períodos sucessivos a mim, a acusação é ridícula, despropositada. Além de perder o cargo, cumpri oito anos de suspensão de direitos políticos. Quero lembrar que fui inocentado pelo Supremo Tribunal Federal de tudo o que me foi imputado. Apesar do furacão político que me atingiu, me elegi e me reelegi. Estou no segundo mandato de Senador da República, com muita honra, representando o meu querido estado de Alagoas”, destacou ele.

RESISTÊNCIA À TENTAÇÃO AUTORITÁRIA

Em julho de 1992, no auge da crise política, Collor revelou que recebeu em audiência no Palácio do Planalto os três ministros militares. Naquela época, não havia Ministério da Defesa. O da Marinha, a mais antiga das Forças, falou em nome dos demais.

“Deu o recado. As Forças Armadas estavam prontas para agir em defesa da legalidade e providenciar o retorno aos quadros constitucionais vigentes. Alguma coisa estava no ar. No mesmo instante, agradeci a preocupação e informei que não estava disposto a nada que fugisse dos cânones constitucionais. Disse que este era um processo político e que deveria ser solucionado na esfera política.  Percebi rapidamente que não havia criado canais de solidariedade confiáveis com parlamentares tanto no Senado quanto na Câmara. Entendi, posteriormente, que poderia ter evitado com facilidade a criação e a instalação da CPI. Reconheço que cometi erros no relacionamento com parlamentares e jornalistas”, analisou Collor.

O ex-presidente lembrou que, apesar de ter renunciado antes do julgamento pelo Senado, ainda assim foi dado prosseguimento ao processo de Impeachment, mesmo ele não sendo mais o presidente. Quem já estava no comando do país era Itamar Franco.

“Sem perceber erros tão flagrantes, o Congresso declarou meu afastamento e cassou meus direitos políticos. Nada tenho a me queixar. Estou vivo, com saúde e disposição para atuar na política. Erros, todos cometemos em maior ou menor medida. Fiz antes e faço agora, perante os senhores e senhoras Senadores ato de expiação de culpas. O jogo político é assim. Erros e acertos. Políticos morrem várias vezes. Renascem outras tantas. Depois do meu governo, vários presidentes seguiram a mesma fórmula para tentar reduzir o tamanho do Estado, abrir a economia e promover privatizações. Inaugurei este ciclo. Vejo, contudo, que presidente sem boa articulação política com o Congresso tende a enfrentar dificuldades. Pode até ser derrubado. O Congresso brasileiro conhece bem os caminhos para tirar presidentes do Palácio do Planalto. Relato o que vivi, mas sei que experiência não se transfere”, afirmou Collor.

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